Aumento de munição permitida para civis beneficia ‘monopólio da Taurus’, criticado pelos Bolsonaros



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RIO — A regulamentação do decreto governamental que amplia a quantidade máxima de munições para compra por civis cria uma demanda de mercado que beneficia, por ora, a Taurus, maior fabricante brasileira de armas. Com a medida, a penetração da empresa no mercado tende a aumentar, contrariando intenções que o presidente Jair Bolsonaro, e principalmente seus filhos, vêm sinalizando desde a campanha que o levou ao Palácio do Planalto em 2018. A principal promessa, levada adiante pelos filhos que integram a política, é a de quebrar o chamado “monopólio da Taurus” e abrir o mercado nacional para fabricantes internacionais — como a americana Sig Sauer (fornecedora do exército dos Estados Unidos) e a italiana Berretta.

A ideia de acabar com o domínio da empresa brasileira vem sendo encampada principalmente pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e pelo senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ). Em viagem à Índia, no início da semana, Eduardo disse que o mercado de armas em seu país é “elitista” graças a um “monopólio branco”. Flávio, por sua vez, iniciou seu mandato no Senado Federal no ano passado protocolando um projeto de lei para facilitar a chegada ao Brasil de armas e munições de origem estrangeira.

As notícias mais recentes, assim como a nova regulamentação anunciada ontem, vão na contramão do que prega a família presidencial. Também na Índia, a Taurus assinou uma joint venture com o Jendal Group, maior fabricante indiano de aço, que levará à transferência de tecnologia brasileira no setor para o país asiático.

Além do provável aumento da demanda de munições no território de origem, a empresa também exportará seu know-how e terá participação de 49% no acordo, fortalecendo ainda mais sua produção e seus lucros, que já vêm subindo: até setembro do ano passado, o desempenho já estava 35% acima da margem bruta do mesmo período em 2018.

O monopólio a que os Bolsonaro se referem ocorre porque, mesmo sem restrições de importação pré-definidas, a legislação brasileira permite, desde 2004, que o Ministério da Defesa negue ou restrinja compras de material do exterior se existir fabricação de produtos similares em indústrias com valor estratégico para o Exército. A norma consta no Estatuto do Desarmamento, sancionado pelo ex-presidente Lula.

Os maiores defensores de que a regra siga como nos últimos 16 anos são, na maioria, militares que compõem parcela importante para o eleitorado do presidente e defendem o papel estratégico da produção nacional de armamentos em indústrias como a Taurus.




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