O bolsonarismo é anticristão – 05/04/2021 – Joel Pinheiro da Fonseca

O ministro Kassio Nunes Marques parece querer agradar os eleitores do presidente que o indicou ao STF. Só isso explica sua decisão irresponsável de permitir, mesmo contra a vontade de prefeitos e governadores, celebrações religiosas coletivas —eventos com alta probabilidade de contágio— num momento de alta da pandemia, em que morrem mais de 3.000 pessoas diariamente.

Ainda pior que a irresponsabilidade do ministro, contudo, é constatar que algumas lideranças religiosas de peso —como o pastor Silas Malafaia— celebraram a decisão. Fico em dúvida se sua religião ainda é o cristianismo, ou se ele já o trocou pelo bolsonarismo.

Um ditado religioso diz que se uma pessoa deixa de acreditar em Deus, ela passará a acreditar em qualquer coisa; alguma superstição ou ideologia ou mesmo seu próprio ego virá preencher o vazio. O que vemos à nossa volta, infelizmente, é que são justamente aquelas pessoas que mais se dizem religiosas —as que mais ostentam sua fé em Jesus— que mais idolatram divindades humanas como Bolsonaro.

Com efeito, nunca tivemos um movimento político de grande porte tão ostensivamente cristão quanto o bolsonarismo: ainda pré-candidato, em 2016, Bolsonaro se fez batizar no rio Jordão pelo Pastor Everaldo.

Seu slogan coloca Deus “acima de todos”, adora citar a Bíblia (embora com uma seleção bem minguada de versículos), ora com estardalhaço junto a pastores famosos, convoca o povo a orações e jejuns, ostenta imagens católicas. Seus militantes se identificam como cruzados em defesa da fé.

Ao mesmo tempo, nunca tivemos um movimento político tão oposto aos valores cristãos quanto o bolsonarismo.

Culto à violência e às armas de fogo, desejo de matar supostos “marginais” e opositores políticos, elogio explícito à tortura e à execução de inimigos; defesa da exploração econômica e ambiental irrestrita; a ambição individual acima de tudo; campanhas maciças de desinformação e calúnia nas redes sociais e no WhatsApp; militantes completamente cegados pelo ódio e pela ignorância.

É esse o tipo de moralidade que se depreende dos evangelhos?

Há uma diferença entre ser um fiel sincero de uma religião e tê-la apenas como identidade cultural. Para o fiel sincero, sua fé lhe fornece valores e critérios pelos quais ele julga a si mesmo e ao mundo. A Bíblia, os ensinamentos de sua igreja, as revelações de espíritos. Seja sua fé qual for, existirá uma grande lacuna entre o ideal de virtude que ela prega e a forma como os homens de fato se comportam. Somos imperfeitos.

Para o cristianismo ocidental, toda pessoa já nasce com a chaga do pecado original. Sendo assim, todo líder político, que é nada mais do que um ser humano, também será julgado pela mesma métrica, e o apoio a ele será sempre condicional e relativo. A principal guerra do fiel é interna: a busca por melhorar e por vencer o mal que ele percebe dentro de si.

Já o cristianismo como identidade cultural é um agregado de símbolos que seus adeptos usam para se reconhecer mutuamente como pertencentes a uma mesma tribo, a tribo dos cristãos, dos conservadores, dos “ocidentais”.

Ao mesmo tempo, marca sua diferença com os “outros”: esquerdistas, progressistas, socialistas, pagãos (ou seja, seguidores de outras religiões), muçulmanos. Sua guerra é exterior. Esse, sim, é um prato cheio para os políticos mais inescrupulosos manipularem as massas.

E quanto mais eles chacoalham seus símbolos e palavras de ordem, mais podemos ter certeza de que são apenas armas numa guerra pelo poder. A fé sincera não precisa ser gritada nos alto-falantes.

Pastores, padres, rabinos, pais e mães de santo; temos muitas lideranças religiosas dando exemplo de amor ao próximo e responsabilidade social, evitando as aglomerações. Outros, movidos pelo interesse político e econômico, aproveitam a pandemia para mais uma “guerra cultural”. A religião não é a inimiga aqui, e sim a falsa religião da idolatria política.


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