PM da Rota que atirou em mulher e mentiu aparece em imagens recolhendo cartucho da bala

Vídeo obtido pela Ponte mostra momento em que sargento Marco Antonio Freire dispara contra grupo de três pessoas; ele foi preso em flagrante por tentativa de homicídio em SP

Filmagens de um prédio na Rua Doutor Elias Chaves, no centro da capital paulista, obtidas pela Ponte mostram momento em que o sargento Marco Antonio Freire, 47, atira contra um grupo de três pessoas, atingindo uma mulher, após uma discussão. Na ocasião, ele havia mentido sobre uma tentativa de assalto e se apresentou como vítima, conforme a reportagem revelou no dia 21 de março.

Foram essas imagens que determinaram a prisão em flagrante do PM lotado na Rota, a tropa mais letal do estado de São Paulo, e o indiciamento por tentativa de homicídio. A prisão do PM não agradou os colegas de farda, que cercaram a delegacia em viaturas da Rota, segundo informações de policiais. Em reação, a Civil enviou ao DP viaturas do Garra (Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos). Apesar da pressão, a delegada manteve a prisão em flagrante do PM.

A vítima atingida pelo sargento ainda não foi identificada, já que os outros dois homens que a acompanharam a levaram do local antes da chegada da polícia, que foi chamada por causa dos tiros.

Na delegacia, Marcos Antonio contou uma história bem diferente. Disse que, duas horas antes, havia saído de casa em direção a um estacionamento para pegar o carro e buscar sua esposa, que também é PM, no trabalho. Antes de chegar ao carro, na Rua Guaianases, teria sido cercado por dois homens e uma mulher. Um dos homens teria sacado uma arma e dito “passa o que você tem, senão eu vou te acertar”. O sargento, então, teria atirado no grupo, com uma pistola Glock .40 da corporação, fazendo os “ladrões” fugirem.

No local, os policiais ouviram duas testemunhas e recolheram imagens de câmeras de segurança. Uma testemunha contou que ouviu uma das vítimas desafiar o PM, dizendo “Você vai atirar? A gente tá perto da favela, você vai atirar?” e “Então atira”. O sargento atirou. Depois disso, testemunhas ouviram gritos de “Você atirou na minha mulher” e “Olha a merda, tio, olha a merda”. Curvada sobre o chão, a mulher baleada chorava: “Moço, você acertou em mim, para com isso, moço”. Os três foram embora andando.

No boletim de ocorrência, a delegada argumentou que “não houve uma formal abordagem policial ou reação natural de um policial que é vítima de roubo a mão armada” e destaca que “o sargento dá as costas àquelas pessoas que afirmou terem tentado lhe render mediante grave ameaça praticada com uma pistola”.

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De acordo com o UOL, essa é a segunda vez que o sargento faz disparos na mesma rua e conta uma versão parecida. Em maio de 2020, ele disse que estava a caminho de casa quando dois homens passaram a seguí-lo. Quando atravessou a rua, afirma que um deles sacou uma arma e, “para se defender”, sacou sua arma e atirou duas vezes. Um dos disparos acertou Adilson Tepedino Júnior, de 44 anos, que estaria com um simulacro de arma e acabou condenado a dois anos de prisão. O outro homem seria Fábio Gonçalves de Oliveira, 30, que foi preso por policiais nas imediações e foi absolvido por falta de provas. Ambos seriam moradores de rua.

O PM Marco Antonio teve a sua prisão convertida para preventiva (por tempo indeterminado) pelo Tribunal de Justiça na segunda-feira (22/3). “Destaco que a conduta delitiva do autuado é de acentuada gravidade, sobretudo por se tratar de agente diretamente ligado ao sistema criminal de justiça. Necessária, portanto, a decretação da prisão preventiva como forma de acautelar o meio social e socorrer a ordem pública, assegurando-se, assim, a paz e a tranquilidade social, bem como a proteção da sociedade contra os atos praticados, em tese, justamente por aquele que deveria protegê-la”, argumentou a juíza Celina Maria Macedo Stern em audiência de custódia.

O Ministério Público ainda aguarda finalização do inquérito policial para se manifestar se denuncia ou não o sargento pelo crime. O policial está preso no Presídio Militar Romão Gomes. A reportagem procurou o advogado Rui Barbosa*, que aparece como defensor do PM, mas, por mensagem, disse que não o representa mais e não sabe quem atua no seu lugar.

*Reportagem atualizada às 19h58, de 27/3/2021.



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