Por que a ação da Taurus (TASA3) vive no sobe e desce? – Mercado – E-Investidor

Envolta numa queda de braço judicial com a Polícia Militar de São Paulo, a fabricante brasileira de armas leves Taurus (TASA3; TASA4) enfrenta acusações de falhas no funcionamento de seus armamentos. Para analistas do mercado, esse tipo de notícia, que afeta a credibilidade, é um dos motivos que justificam a alta volatilidade dos papéis da companhia nas últimas semanas.

Em decisão publicada no Diário Oficial no dia 25 de julho, a Taurus foi proibida de participar de licitações e contratações de órgãos públicos do estado de São Paulo por dois anos, assim como foi obrigada a pagar uma multa de R$ 12,7 milhões. O motivo é um processo administrativo de 2016, referente a falhas no funcionamento de armas vendidas ao Estado entre 2007 e 2011.

Segundo a empresa gaúcha, a Justiça de São Paulo julgou procedente a ação da Taurus e revogou a penalidade de suspensão nos processos licitatórios e contratuais com a Administração Pública, conforme sentença publicada dois dias depois. Além disso, a decisão prevê que a Fazenda do Estado arque com os custos e as despesas processuais, além do pagamento dos honorários advocatícios.

Mas acusações de falhas são um problema que a empresa já vem tendo que enfrentar há algum tempo, inclusive fora do Brasil. Além de disputas na Justiça do Distrito Federal, em relação a problemas de funcionamento em armas fornecidas às polícias Civil e Militar, a Taurus já se viu em processos judiciais por motivos parecidos nos Estados Unidos.

Afinal, vale a pena investir na Taurus?

Para o analista da Marcio Loréga, da Ativa Investimentos, a posição na Taurus é indicada para o perfil de investidor mais arrojado, ou seja, aqueles dispostos a assumir mais riscos. Isso porque a volatilidade é uma marca nos papéis da empresa, que valorizam e desvalorizam como muita frequência.

“Fazendo um levantamento bem amplo, essa ação já chegou a R$ 0,24, em 1996, com preços atualizados, e, em 2007, teve o pico de preço em R$ 64,71. Só para você ter uma ideia da variação de preço que esse ativo tem. Recentemente, em 2015, ela chegou a R$ 0,99 e agora está nesta faixa dos R$ 6”, refaz Loréga.

Em 2020, as ações ordinárias (TASA4) da fabricante abriram o primeiro pregão do ano em R$ 6,24. Em 23 de março, início da pandemia, a cotação despencou para R$ 2,31. Três meses depois, em 23 de junho, já havia subido para R$ 7,44. Desde então, veio oscilando até os R$ 5,92 do pregão desta sexta-feira (31), demonstrando uma boa recuperação desde o começo da crise. Resta saber até quando.
De todo modo, o analista da Ativa entende que é possível, sim, se posicionar nessas ações, que se mostram resilientes, porém, com bastante cautela e estudo.

“Tem que conhecer, buscar relatórios que possam auxiliar nessa jornada. O investidor pode muito bem estar construindo um patrimônio em cima de algo bastante volátil. Mas tem que separar uma pequena parcela do capital para que ele não corra o risco de ver o principal investimento dele se deteriorando desnecessariamente”, frisa Loréga.

Quais são os atrativos e riscos das ações da Taurus?

A empresa possui alguns prós e contras que justificam a sua volatilidade e consequente risco de investimento. Além dos processos, a ação da Taurus acompanha muito o debate sobre a facilitação do porte e da posse de armas no Brasil. Um exemplo foi 2018, ano eleitoral, quando o então candidato e atual presidente da República, Jair Bolsonaro, levou essa pauta para a sua campanha e as ações logo se valorizaram.

Apesar de dominar o mercado armamentista brasileiro, a Taurus também exporta para diversos países. Por conta disso, se beneficia do dólar, mas sofre com a concorrência que não tem no Brasil. “É um setor complexo, que envolve grandes concorrentes no mundo inteiro. E muitos destes são muito bem capitalizados”, explica o economista Gustavo Bertotti, da Messem Investimentos.

Os imbróglios judiciais são outro desafio para a companhia, na opinião dos analistas. Para Loréga, no curto prazo, essas questões podem até não causar grande impacto à empresa, mas os efeitos poderiam se mostrar no longo prazo. Não só pela disputa com seus pares estrangeiros, mas pela possibilidade de expansão da concorrência interna.

“É algo que gera crise de credibilidade. O mercado tem potencial de crescimento, não só aqui como lá fora, e ela precisa se ajustar”, avalia Loréga.

O que esperar da fabricante de armas em 2020?

Em 14 de agosto, a Taurus, que tem aproximadamente R$ 494 milhões de valor de mercado, deve divulgar o seu balanço financeiro do segundo semestre de 2020. Para Bertotti, da Messem, a possibilidade de suspensão de fornecimento de armas para a polícia militar de um importante estado, como São Paulo, além de uma multa superior a R$ 12 milhões, deixa ainda mais complexa a situação financeira da companhia, ao menos com base no balanço do primeiro trimestre deste ano.

O economista analisa que o endividamento total da companhia, com pendências de curto e longo prazo, chega próximo de R$ 1 bilhão. “Ela teve prejuízo, na última linha, de R$ 157 milhões no primeiro trimestre [de 2020]. Claro que com os impactos da pandemia, em todos os setores, ela também sofre muito. E se colocar o curto prazo de 2020, o que ela teria de ativo circulante menos o passivo circulante chega em um capital de giro líquido negativo R$ 261,4 milhões”, aproxima Bertotti.

O mercado também aguarda novos detalhes de uma possível joint venture da Taurus com uma empresa automotiva. O anúncio dessa parceria foi feito em junho passado, mas com poucos detalhes. Loréga recomenda o cuidado na análise de notícias, antes de tomada de decisões.

Para ele, é possível que já tenha acontecido uma precificação da notícia, mas a falta de mais informações não permite bater o martelo. “Pode ser que as coisas caminhem, mas ainda é muito especulativo. Eu ainda aguardaria uma evolução um pouco mais concreta, porque ora acontece, ora para”, aconselha Loréga.

Segundo comunicado da Taurus para o mercado, a possível joint venture significa mais um passo no processo de reestruturação da empresa, sob nova gestão desde 2015. “O objetivo da joint venture, se obtidas todas as autorizações estatutárias e legais, será a fabricação e a comercialização de acessórios para armas leves para os mercados nacional e internacional”, disse a empresa.

Ainda conforme o comunicado, as duas partes têm até 30 de setembro de 2020 para concluir os estudos de viabilidade da parceria e o plano de negócios a ser desenvolvido, bem como estabelecer as condições necessárias para a efetivação.

Em janeiro, a Taurus anunciou um acordo definitivo para criação de uma joint venture com o Jindal Group, um dos maiores conglomerados de negócios indiano e global, o que permitirá a fabricação e comercialização de armas na Índia. As negociações com a gigante indiana, com faturamento superior a US$ 24 bilhões, duraram cerca de 11 meses, disse a Taurus à época do anúncio.

De acordo com a fabricante de armas brasileira, a parceria com o grupo indiano está avançando de acordo o cronograma estabelecido, ainda que a pandemia de covid-19 tenha atrapalhado, por exemplo, viagens e deslocamentos.

“Estamos trabalhando em toda parte documental e layout da planta. O local onde a fábrica vai ser instalada já está com sua construção pronta, parte de alvenaria, e agora nosso parceiro vai iniciar a aquisição das máquinas para a produção”, respondeu a Taurus.



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